A recente confirmação de casos do vírus Nipah na Índia levantou o alarme no sistema de saúde global.
Vírus Nipah: vigilância e cautela
A recente confirmação de casos do vírus Nipah na Índia levantou o alarme no sistema de saúde global.Num mundo que ainda carrega as cicatrizes da experiência traumática deixada pela pandemia da COVID-19, as notícias sobre doenças infecciosas e vírus emergentes são preocupantes.Porém, é preciso considerar o que é realidade e o que é apenas exagero, entender o real perigo, sem entrar em pânico, e reforçar a importância do monitoramento da saúde.
Nipah não é uma descoberta recente, foi identificado no final da década de 1990 e seus principais hospedeiros são morcegos frugívoros do gênero Pterops (não encontrados no Brasil).
Eles podem transmitir o vírus sem adoecer, mas podem transmiti-lo pela saliva, urina ou fezes, transmitindo-o para outros animais – como porcos, por exemplo – ou, eventualmente, para humanos, ou mesmo de pessoa para pessoa.Desde a sua descoberta, surtos esporádicos foram relatados principalmente no Sul e Sudeste Asiático.
A transmissão para humanos geralmente ocorre através do contato direto com secreções de animais infectados ou com alimentos contaminados, como frutas mordidas por morcegos ou seiva crua de palma.Também há casos de transmissão entre humanos, principalmente em hospitais ou entre profissionais que cuidaram de pacientes de perto.Mas esta propagação é limitada porque requer contacto próximo e prolongado, o que é muito diferente da rápida propagação observada com vírus respiratórios altamente contagiosos como o coronavírus.
Nipah precisa de atenção porque os sintomas podem ser comparados a outras infecções virais, incluindo febre, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e tosse.E há um alto índice de casos em que a doença é grave, com distúrbios neurológicos.
A encefalite, ou seja, inflamação do cérebro, pode surgir poucos dias após os primeiros sintomas, causando confusão mental, convulsões e coma.A mortalidade observada em surtos anteriores foi maior, variando entre 40% e 75%, dependendo do estágio de diagnóstico da doença.
Outra preocupação é que não existe medicamento específico ou vacina aprovada para combater o Nipah.O tratamento baseia-se no tratamento e controle dos sintomas com suporte respiratório e neurológico ativo.
No entanto, a comunidade de especialistas e até a OMS (Organização Mundial da Saúde) acreditam que a propagação global é improvável.O vírus não tem capacidade de transmissão sustentada entre pessoas e, até agora, os surtos relatados foram contidos.A maior parte da população mundial nunca foi exposta ao Nipah e os casos de transmissão estão limitados às regiões.
Sem minimizar os riscos, temos boas hipóteses de compreender um cenário recorrente na saúde, com surtos de doenças zoonóticas associados ao aumento do contacto entre humanos, animais de estimação e vida selvagem.Com as ações humanas sobre o ambiente, incluindo a desflorestação, a urbanização desenfreada e as alterações climáticas, a probabilidade de vírus que anteriormente estavam confinados a determinados ecossistemas atravessarem as barreiras das espécies aumenta exponencialmente.
A mensagem é que, por enquanto, podemos permanecer calmos, mas podemos permanecer vigilantes.Também é importante lembrar que é aconselhável praticar bons hábitos de higiene, como lavar as mãos com frequência, evitar contato com animais silvestres e seus fluidos e seguir as orientações oficiais de saúde pública.Também é importante buscar canais oficiais de informação para entender melhor vírus como o Nipah e outros.
Até o momento, o vírus Nipah não representa uma ameaça imediata ao Brasil ou ao mundo.Mas as recentes infecções na Índia enviaram uma mensagem importante ao público: as emergências de saúde podem acontecer a qualquer hora e em qualquer lugar.As melhores ferramentas para lidar com esses problemas são a atenção, a informação e o cuidado.
