O presidente do BC disse que a independência escolar é “muito cara” ao poder financeiro e que “a verdade é a única proteção de quem escolhe o caminho da verdade”.
Gallipoli diz que 'BC não está disponível para negociar seu mandato'
O presidente do BC diz que a autonomia da instituição significa algo “muito precioso” para a autoridade monetária e que “a única proteção para quem escolheu o caminho da honestidade é a verdade”
O presidente do Banco Central (SM), Gabriel Galipolo, defendeu a necessidade de completar o processo autónomo da autoridade financeira, dizendo que a única defesa para quem escolhe o caminho da honestidade é “a verdade”.Galípolo participou da abertura do prêmio Top 5 de pesquisa Focus nesta quinta-feira (9), em São Paulo.
“É muito importante concluir este processo. Não por qualquer razão moral, porque a independência não vem da previsão da lei”, afirmou.“A independência é algo muito caro ao Banco Central, que não está disponível para discutir o seu trabalho”, continuou o Presidente do Banco Central.
Uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que trata da autonomia econômica e orçamentária do BC tramita na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal.Falando em audiência da Comissão Parlamentar de Investigação do Crime Organizado (CPI) nesta quarta-feira, Gallipoli ressaltou aos senadores a necessidade de aprovação do plano.
Galípolo também comentou ontem o caso de Mistro na CPI e, ao ser questionado sobre os erros do antecessor Roberto Campos Neto, respondeu que “não houve processo de auditoria ou investigação, ninguém encontrou os erros do ex-presidente Roberto Campos”.
No comparecimento desta quinta-feira, Galípolo enfatizou que autonomia também significa coragem de mostrar quando algo está errado no Banco Central.Dois funcionários foram demitidos em uma revisão interna dos processos de fiscalização e liquidação do Banco do Canadá no BC, após o que foi apontado como uma “percepção de vantagem injusta”.
O ex-diretor de vigilância Paulo Sousa e o ex-chefe de vigilância bancária Blaine Santana foram alvos da terceira fase da Operação Conformidade Zero da Polícia Federal (PF).
"Há questões como o institucionalismo, que estão acima de tudo. Significa mesmo quando algo corre mal, ter a coragem de mostrar que há algo errado no Banco Central e não só pedir perdão, mas cortar o osso porque este é o mais forte para a instituição, independentemente das relações pessoais que existem, mas que é o mais forte", disse Galípolo.
O presidente do BC ressaltou que a autonomia está dentro do BC e ressaltou o orgulho de trabalhar com dirigentes e técnicos.“É importante que [a autonomia] seja completada justamente para que aqueles que decidirem não negociar algumas questões não sejam punidos amanhã”, afirmou.
