Canetas e ampolas emagrecedoras são vendidas gratuitamente nas redes sociais.Médico alerta sobre riscos à saúde
Nos anúncios nas redes sociais, no boca a boca e nas farmácias – onde deveriam – as chamadas canetas emagrecedoras estão em alta.Nesta sexta-feira (20/3) expirou a patente da semaglutida, substância presente em medicamentos como Ozempik e Vegovi, marcando uma mudança importante no mercado farmacêutico.
Na prática, o fim de uma patente permite que outros laboratórios produzam e vendam medicamentos com o mesmo princípio ativo.Com isso, a oferta tende a aumentar e, com o tempo, mais concorrência entre as marcas.
Embora novas opções não cheguem às prateleiras, a procura por alternativas mais baratas e muitas vezes de origem questionável está a aumentar.Essa medida gerou preocupação entre os especialistas, pois o uso indevido pode levar a resultados contrários às expectativas.
Os efeitos colaterais mais comuns são náuseas, vômitos, esofagite e gastrite.Em casos mais graves, também são relatadas complicações como pancreatite e perda de visão, principalmente relacionadas ao uso indevido do produto ou origem acidental.
Dois fatores concentram os principais riscos: descoberta de medicamentos e erros de dosagem.Os altos custos no Brasil estão levando os consumidores a procurar opções mais baratas, especialmente nos países vizinhos.Por exemplo, no Paraguai, a lei permite a produção de uma versão semelhante antes mesmo de a patente global expirar, reduzindo significativamente os preços.
"As pessoas estão se automedicando. Muita gente compra sem receita no Paraguai, e começa a usar com instruções da internet. Uma pessoa ensina a outra, a dose aumenta rápido e quem tem problemas como diabetes corre risco. Antes há relatos de cegueira; também de pancreatite", explica o nutricionista Vinicius Petri e o Instituto Parainert do Instituto Gutnert. Oncologia (PIO).
Os números representam esse cenário.Até 2025, a apreensão de libras pela Receita Federal no Paraná é de R$ 9,3 milhões.Em apenas dois meses de 2026, o valor chegou a R$ 5,9 milhões, equivalente a 63,6% do ano anterior.Na alfândega de Foz do Iguaçu, mais de 13 mil peças foram apreendidas neste ano.
Um dos maiores problemas são os medicamentos falsificados.Segundo os médicos, não se sabe exatamente o que há nesses medicamentos, se foram guardados na geladeira, qual é o princípio ativo ou se há algo mais estranho neles.
Os Sacoleiros, que antes entregavam celulares, videogames e perfumes, hoje entregam ampolas medicinais e canetas para emagrecer.Também inclui medicamentos que ainda estão sendo testados.“Existe um medicamento chamado Retratutida, que promete ser mais potente que o Monjaro no emagrecimento. Ainda não foi aprovado nos Estados Unidos e no Paraguai houve um evento de lançamento desse medicamento”, disse o médico.
Benefícios com o fim da patente Ogympic
Para o nutricionista Vinicius Petri, ampliar as opções pode trazer benefícios relevantes aos pacientes.“É um medicamento que melhora a hipertensão, a insuficiência cardíaca, a gordura no fígado e reduz a possibilidade de câncer”, explicou.
Apesar das expectativas, a chegada de novas alternativas não será imediata.Atualmente, pelo menos oito medicamentos com o mesmo princípio ativo estão em análise pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).Antes de chegarem ao mercado, esses produtos devem passar por rigorosas etapas de avaliação que incluem comprovação de eficácia, segurança e qualidade.
Há também uma fase de acompanhamento na prática clínica após o lançamento." Quando um medicamento entra no mercado temos que monitorar os efeitos colaterais. Primeiro avaliamos se é seguro e depois recomendamos. Recomendamos sempre que seja aprovado pela Anvisa."
Ozempic será mais barato?
Apesar dos riscos de utilização indevida, a abolição das patentes traz efeitos positivos a médio prazo.À medida que a concorrência aumenta, a expectativa é baixar os preços e ampliar o acesso ao tratamento.
“De todos os medicamentos até agora, é o que mais faz você perder peso, porque não atua apenas no apetite. Ele regula o metabolismo do fígado, atua no cérebro e melhora a ação da insulina e de outros hormônios”, afirma a especialista.
Contudo, o impacto no bolso dos consumidores não deverá ser imediato.O tempo médio para um novo medicamento, especialmente um medicamento importado, chegar ao mercado brasileiro com aprovação total é de cerca de seis meses.Até o momento, não existe nenhuma versão fabricada por uma empresa farmacêutica nacional.
Mesmo com a ampliação da oferta no futuro, a orientação médica segue essencial. “Se for um medicamento bem feito e aprovado pela Anvisa, vai trazer benefício. Mas ainda é um tratamento que exige acompanhamento, porque pode gerar intercorrências”, conclui o nutrólogo.
